Resiliência Urbana e uma Belém Sustentável

Painel do 4º Ciclo do projeto Belém 40º

Painel sobre Resiliência Urbana – Projeto Belém 40º. Fonte: Acervo.

O quarto painel do Projeto  Belém 40º aconteceu no dia 30 de abril, no Canto Coworking, espaço colaborativo localizado na região central de Belém. Mediado por Isabela Rocha, o encontro foi mais uma iniciativa do Laboratório da Cidade com apoio do Instituto Clima e Sociedade (ICS). A transmissão simultânea foi realizada para o público geral através do canal do Laboratório da Cidade, no YouTube. 

Assista aqui o Painel completo sobre Resiliência Urbana.

As discussões do dia giraram em torno do tema “Resiliência urbana e uma Belém sustentável”. Para compor o elenco de participantes, participaram:

  • Vânia Neu – bióloga com mestrado e doutorado em Ecologia pela Universidade de São Paulo (USP), professora e pesquisadora da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), e
  • Sérgio Brazão – engenheiro agrônomo com mestrado em Solos e Nutrição de Plantas (UFRA) e Doutorado em Geologia (UFPA). Já atuou como vice-presidente da extinta Fundação de Parques e Áreas Verdes de Belém (Funverde) e atualmente é secretário municipal de Meio Ambiente (Semma).

Isabela Rocha abriu o painel agradecendo aos presentes pela participação e lançando à audiência um conceito básico de resiliência urbana que, nas palavras dela, pode ser entendida como “a capacidade que as cidades têm de se adaptar aos eventos extremos”. 

A partir desse pequeno lampejo, Isabela começou a contextualizar a discussão. Trazendo o foco para a cidade de Belém, pontuou que, apesar da cidade não ser vitimada por determinados fenômenos atmosféricos e geológicos – como furacões e grandes deslizamentos – enfrenta outros grandes desafios de longa data, a exemplo dos efeitos dos recorrentes episódios de alagamentos e enchentes.

Após a sua fala inicial, a mediadora passou a palavra para Vânia Neu e a convidou a responder a seguinte indagação: o que é, de fato, uma cidade resiliente?

Em sua resposta, a professora e pesquisadora pontuou que a resiliência urbana se faz pelo equilíbrio entre três eixos: ambiental, econômico e social. Segundo ela, é a complementaridade desses âmbitos que pode garantir, efetivamente, a seguridade necessária para que a cidade e os seus cidadãos possam ter os recursos para lidar com as possíveis intercorrências.

“As pessoas resumem [a resiliência urbana] à questão ambiental […] Não tem como olhar só pelo lado ambiental se tem pessoas passando fome, se você não tem renda. É preciso ter uma economia diversificada em uma cidade, isso traz segurança.” – Vânia Neu

Além disso, Vânia fez alguns comentários a respeito do perfil do solo de Belém, alertando para a necessidade de se pensar em soluções que envolvem a permeabilização.

Após a fala da convidada, Isabela se direcionou a Sérgio Brazão e a ele fez outro questionamento: como o poder público tem debatido as mudanças climáticas e os efeitos delas na nossa cidade?

Para dar sua resposta aos presentes, Sérgio partiu também da perspectiva de pesquisador e destacou a necessidade de se investir hoje nas potencialidades da cidade. Falou sobre os desafios que enfrenta na reestruturação da Secretaria de Meio Ambiente e de que forma correm hoje discussões a respeito da preservação das ilhas de várzea e da necessidade de convertê-las em áreas de proteção. Além disso, destacou o investimento na agricultura urbana para garantir, não somente a segurança alimentar, mas também, uma renda extra às famílias e para impedir a impermeabilização do solo.

Mediante às falas dos convidados, Isabela fez algumas ponderações. Retomou a fala de Vânia sobre a resiliência urbana estar diretamente ligada ao combate da desigualdade. Citou o caso de Medelín, cidade que recebeu investimentos massivos em urbanismo social e apresentou ao mundo resultados notáveis através da melhora dos seus indicadores e da ampliação da coesão social na comunidade.

Sobre a fala de Sérgio, ela reforçou a responsabilidade e o compromisso que deve partir do poder público para devolver à cidade as áreas permeáveis, pensando em soluções que envolvam diretamente também a sua população.

Vânia retomou a palavra e fez alguns adendos sobre a participação social dentro do projeto de preservação. Relatou a experiência da recuperação da bacia do canal de São Joaquim e ressaltou como é fundamental que a população assuma uma parcela de responsabilidade. A professora falou também sobre a necessidade de se respeitar os ciclos biogeoquímicos e hidrológicos que garantirão o equilíbrio e a sustentabilidade que hoje faltam nas cidades.

Sérgio Brazão também complementou a sua fala e contou aos presentes sobre os esforços atuais da secretaria de meio ambiente para influenciar a melhora do saneamento em Belém, o que poderá possibilitar o aumento da qualidade de vida na capital e em várias outras localidades que acabam sofrendo as consequências severas da falta de tratamento do esgoto e da poluição indiscriminada – o que inclui não somente os impactos ambientais, nas palavras do secretário, mas também os impactos em vários outros setores como o da saúde, que acaba sobrecarregado com o potencial de adoecimento da população.

O secretário ainda mencionou o projeto que está em andamento e visa reforçar a cobertura arbórea da capital. Segundo ele, as mudas estão sendo preparadas desde o ano passado para plantio com o objetivo de começar um trabalho contínuo, que busca retirar Belém da lista de capitais com piores níveis de arborização urbana no Brasil.

Por fim, citou a importância de incluir os cidadãos em todo esse processo, através da educação ambiental e mencionou também o concurso realizado recentemente pela atual gestão, responsável por selecionar o projeto de urbanização que será implementado no canal São Joaquim. 

Sérgio explicou as potencialidades do projeto selecionado que visa além da transformação através do investimento em saneamento e remodelação da lógica do uso do transporte, as possíveis transformações sociais que poderão decorrer dessa iniciativa.

Isabela Rocha encerrou a rodada comentando sobre a educação ambiental e a participação social, tópicos citados pelos dois convidados e que são defendidos e trabalhados continuamente dentro das ações do Laboratório da Cidade.

“A gente acredita na participação como uma ferramenta para que a comunidade possa cobrar também, aprender e desenvolver um novo repertório de cidade. Temos cidades disfuncionais […] e a maioria das pessoas pensa ‘é isso, tá posto e não tem como mudar’, mas pra mudar, o primeiro passo é mostrar para as pessoas que elas mesmas têm as soluções e isso começa com a educação ambiental.” – Isabela Rocha

Assim, fechou-se o primeiro momento do debate e abriu-se o espaço para as perguntas da audiência virtual e presencial que podem ser acompanhadas integralmente através do link do painel de Resiliência Urbana do Lab. 

Por: Ana Luísa Souza. Licenciatura em Letras. Voluntária no Projeto Belém 40º.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.